Todos nós temos no nosso coração alguém sobrevivente a todas as nossas decepções, mesmo que esse alguém seja uma das razões pelas quais elas existem. Alguém que amamos, gostamos, queremos, valorizamos, seja o que for, é o "alguém".
Há casos e casos, mas há casos em que esse alguém desaparece da nossa vida, foge. Não larga porque sabemos bem que quando existe fraqueza as fugidas são o melhor e largar só os fortes conseguem. Casos em que estão connosco, mas não têm mais aquele jeito que nós gostamos, não têm mais o toque que nós gostamos de sentir, não têm mesmo mais aquele jeito talvez porque com tantas histórias numa só história as coisas que tanto apreciávamos vão mudando aos nossos olhos e é isso... É sentir que já nem cuida de nós e não se preocupa mais. Já não sabe ser o mesmo alguém e vai-se revelando passando a deixar de ser o que tanto queremos, deixar de ser o nosso grande interesse e o ponto alto da nossa atenção ou talvez um foco para a nossa felicidade.
O mais engraçado neste tipo de situação é que talvez fosse a pessoa certa, se calhar até era até ao dia em que a fraqueza dominou todo o seu ser e 'fraquejou' todos os pontos fortes do nosso. Dois seres completam-se, tal como sabemos que a corda só se aguenta esticada se puxarmos mutuamente as duas pontas. É isso, a corda não chegou a rebentar porque foi solta e continuei a agarrar, mas como o céu não tem limites nós também não temos, porque haverá sempre mais e mais na nossa inconstante vida que tanto está igual como também pode mudar.
Saber estabelecer limites para certas coisas dá, eu posso garantir isso porque neste aspecto eu tomei em consideração os meus mesmo sabendo que haverá mais, mas não nesta história.
O mais irónico é que há sempre outro alguém que talvez não seja o certo, mas que tem tudo aquilo que gostamos. Tem um toque que consegue ser especial, tem uma atitude que mexe com o nosso sistema, tem um grau de preocupação mesmo que não demonstre entre tantas outras coisas que nós gostamos, mas que não são do tal "alguém" que talvez fosse o certo, mas encontramos isso tudo no "outro alguém", esse que talvez saibamos que é o errado.
E não, não é carência ou estar carente, mas sim encontrar no que menos pensávamos o que queríamos encontrar nas sobrevivências do nosso coração.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
até um dia
O problema é o fazer. Sim, do verbo "fazer": "eu faço", "tu fazes", "nós fazemos"... É que ao contrário de ti, fraco, que se encontrara um dia ao meu lado, eu fui sempre forte o suficiente para fazer o que podia e até o que pensava não puder por ti e acreditar no: "ele também fará". Pois, acreditar em tudo aquilo que eram só grãos de areia para os meus olhos. Mais e mais até chegar ao hoje.
O hoje em que todos esses grãos de areia não passaram de ilusões. Ilusões minhas, mentiras tuas. Fraquezas que admites e até parece irónico a maneira como te acusas como fraco. Tenho-te a dizer que é das únicas vezes que acredito que estás realmente a par do que és.
Entristece e seria tudo mais fácil se alguém tivesse mo dito. Dito que ias embora de um jeito inesquecível e tão doloroso depois das tempestades, mas todas elas foram mais fortes que tu. Não te julgo por seres fraco, mas por seres o "mar" que me empurra contra as marés e que depois dessas me traz de volta aquela areia que eu não quero mais pisar. Onde o vento é tão forte que os grãos de areia acabam por embater contra os meus olhos e depois acabo em lágrimas por fazer tanta confusão nos meus sensíveis olhos, que tu tanto conheces, aquela areia toda.
Não necessito de confiar em ninguém para além de mim e no meu foco. Foco esse que tu não farás mais parte e já chega. Já chega de tantos grãos de areia, de marés, de fraquezas e factos para ser forte, rancores, amores e "desamores", da escrita para ti, da minha alma não se ver livre do grandioso amor que um dia tive e de todos os dias me lembrar de palavras e momentos, mas logo a seguir de todos os passos que deste até dares a conhecer ao meu ser, para além de todo esse teu orgulho, também ao teu a tua forte fraqueza.
Podes crer! Podes crer que custa, mas sabes o pior? Sou eu que me sinto tão capaz agora só conhecer a desistência. E eu que não gosto de desistir tive que pôr em prática o: "eu desisto". Para ti foi fácil não é? É sempre tudo tão fácil...
Não faço promessas que posso não puder cumprir e por isso mesmo não prometo desistir de escrever para ti. É sempre melhor escrever do que guardar para mim, mas também não tens que saber porque agora é assim. Deixaste de fazer parte do meu ser, mas isto não é um acto de egoísmo é só a minha dor por ter conhecido as tuas fraquezas quando sempre te julguei tão forte para além do que me mostravas.
Enganei-me?! Não, melhor! Eu simplesmente estava a acreditar demais num amor exclusivamente meu.
Aprendi a desistir mesmo quando não sei lidar com tal coisa, mas garanto exclusivamente uma coisa: sou forte o suficiente para não fugir, mas apenas largar aquilo que me destrói.
Um "até um dia" porque acabar um texto como sempre o fiz com um "amo-te" já não é para mim.
O hoje em que todos esses grãos de areia não passaram de ilusões. Ilusões minhas, mentiras tuas. Fraquezas que admites e até parece irónico a maneira como te acusas como fraco. Tenho-te a dizer que é das únicas vezes que acredito que estás realmente a par do que és.
Entristece e seria tudo mais fácil se alguém tivesse mo dito. Dito que ias embora de um jeito inesquecível e tão doloroso depois das tempestades, mas todas elas foram mais fortes que tu. Não te julgo por seres fraco, mas por seres o "mar" que me empurra contra as marés e que depois dessas me traz de volta aquela areia que eu não quero mais pisar. Onde o vento é tão forte que os grãos de areia acabam por embater contra os meus olhos e depois acabo em lágrimas por fazer tanta confusão nos meus sensíveis olhos, que tu tanto conheces, aquela areia toda.
Não necessito de confiar em ninguém para além de mim e no meu foco. Foco esse que tu não farás mais parte e já chega. Já chega de tantos grãos de areia, de marés, de fraquezas e factos para ser forte, rancores, amores e "desamores", da escrita para ti, da minha alma não se ver livre do grandioso amor que um dia tive e de todos os dias me lembrar de palavras e momentos, mas logo a seguir de todos os passos que deste até dares a conhecer ao meu ser, para além de todo esse teu orgulho, também ao teu a tua forte fraqueza.
Podes crer! Podes crer que custa, mas sabes o pior? Sou eu que me sinto tão capaz agora só conhecer a desistência. E eu que não gosto de desistir tive que pôr em prática o: "eu desisto". Para ti foi fácil não é? É sempre tudo tão fácil...
Não faço promessas que posso não puder cumprir e por isso mesmo não prometo desistir de escrever para ti. É sempre melhor escrever do que guardar para mim, mas também não tens que saber porque agora é assim. Deixaste de fazer parte do meu ser, mas isto não é um acto de egoísmo é só a minha dor por ter conhecido as tuas fraquezas quando sempre te julguei tão forte para além do que me mostravas.
Enganei-me?! Não, melhor! Eu simplesmente estava a acreditar demais num amor exclusivamente meu.
Aprendi a desistir mesmo quando não sei lidar com tal coisa, mas garanto exclusivamente uma coisa: sou forte o suficiente para não fugir, mas apenas largar aquilo que me destrói.
Um "até um dia" porque acabar um texto como sempre o fiz com um "amo-te" já não é para mim.
sábado, 8 de dezembro de 2012
porcelana
Boneca de porcelana, já chega de partires e voltarem-te a colar. A porcelana vale muito, mas quando quebra custa a voltar ao lugar. Nós mulheres somos um grupo enorme de bonecas de porcelana que são só valorizadas pelo exterior, e se o interior for o mais lindo vão acabar por o partir.
E que tal começarmos a ter atitude de rocha? Ninguém irá conseguir quebrar, ninguém se atreve a tentar e por dentro poderá esconder milhares de outras pedrinhas, ou bocados de rocha, como bem quiserem entender, que só se dão a conhecer a quem devem. Pedrinhas cuja referência são os nossos sentimentos.
Afinal a boneca de porcelana é sempre muito bonita e a que acaba sempre mal tratada... Como também aprende muita coisa, daí a ideia de sermos como rochas. O que importa é o que nós somos para nós próprios e só depois o que vamos ser para os outros. Não vamos rachar por ninguém se soubermos o que valemos e a maneira que temos de ser valorizadas.
Também há rochas bonitas! Sei do que falo porque já as vi...
Precisamos de ser "inteiras" pois não dá medo e ao sê-lo já somos muito corajosas.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
descidas rápidas
Nós conhecemos sempre as pessoas. Somos capazes de tudo por elas ao ponto de ouvir as opiniões sobre os outros e concordar ao ponto de proteger. Proteger sempre porque afinal acreditamos no que ouvimos. Cuidamos, protegemos, não falhamos mesmo quando queremos estar sós no nosso mundo individual, que tanto precisamos por vezes. Criamos laços quase como família e damos a conhecer o topo da montanha, topo esse que qualquer alpinista ciente que consegue lá chegar, alcança. Topo esse que achamos ser o ideal para as pessoas lá estarem longe de quedas, quedas iguais a falhas.
Chega ao dia.... Conhecemos as pessoas como já referi, mas conhecemos sempre a personalidade que nos dão a conhecer e depois vem tudo. Esse tudo é o globalizar da situação do não conhecer. Nós achamos que conhecemos, mas afinal deixámos de parte as nossas tristezas, o nosso mundo, a nossa solidão por vezes tão necessitada, ouvimos até aquilo que não queremos, entre tantas outras coisas puras para depois tudo o que ficámos a conhecer é o outro lado. E que lado!!!
Sempre ouvi dizer que só vemos aquilo que queremos ver. Realmente é muito certa esta frase até começarmos a ver que somos motivo de inveja por sermos somente nós próprios, darmos o nosso melhor em tudo e ambicionarmos apenas o bem dos outros. Os outros que nos invejam, que nos vão apunhalando pelas costas e de seguida ir ao encontro das nossas fraquezas e destruírem o que ambicionavam também ser, mas simplesmente não conseguem porque vivem para serem iguais e não eles próprios.
O escudo que usamos para nos proteger dos nossos potenciais inimigos é agora usado por nós seres ingénuos e puros para nos proteger dos que mais achámos conhecer. Custa não é? Saber que até quem estava no topo desceu tão rápido...
sábado, 1 de dezembro de 2012
andorinha que parte e volta
Percebi que a minha alma é livre. Livre, mas tende a juntar-se a uma parte do meu cérebro que evita o teu ser como uma borboleta completamente livre que voa até pousar numa flor.
Depois encontro a minha alma ligada à outra parte do cérebro como uma andorinha que parte no inverno, mas volta sempre no início do quente da estação primaveril. É como eu...
A minha alma livre ensina-me a aprender a afastar-me do teu ser e o meu coração esse que tem uma vontade enorme de correr ao teu encontro para preencher este vazio que é a falta de ti.
Alma livre que me corta os amores e "desamores", me desapega e que foge das expectativas para essas não tropeçarem nas desilusões e acabarem por cair, que faz com que o meu coração amante do teu ser procure a forma de ser livre sem ti.
Sou vidrada em tudo o que engloba o teu ser e em todos os detalhes do que tu és e foste, do que foste para mim e para ti próprio, do que eras quando existíamos nós os dois, dos detalhes que acabaram por se modificar e de todo o amor que acreditei vir de ti.
Agora... Agora já não é assim e a minha alma livre tem que ser como a borboleta que pousa de flor em flor e não como a andorinha que parte e volta, numa espécie de rotina. A cabeça vezes o coração tem destas coisas, mas há limites para o amor que foi julgado e posto em vão...
terça-feira, 27 de novembro de 2012
"eu tentei te esquecer, mas não consegui"
Disseram-me recentemente que não existem amores para a vida. Tudo bem, é um ponto de vista. Realmente até pode não haver amores que durem uma vida, mas enquanto eu sentir que ele é o amor da minha vida acredito que possa haver na vida de cada um de nós o seu grande amor e isso não quer dizer que ele nos acompanhe lado a lado para sempre, mas que se mantenha connosco no nosso coração.
Ultimamente o que mais tenho feito é afastar este pensamento. Pensamento este que me leva à dor por não acompanhar lado a lado este meu amor e penso que podem ter havido tantas oportunidades desperdiçadas e até perdidas enquanto tudo o que me vinha à cabeça eram pequenos pormenores sem importância.
Tenho me afastado de tal maneira que ao deitar quando o silêncio domina o meu quarto frio e me encontro no quente dos meus queridos lençóis de flanela os pensamentos percorrem tudo, como o meu sentimento me percorre nas veias, que tento derrubar. É na noite que sinto o porquê da vontade de esquecer, mas também o facto de não o conseguir fazer. Porque afinal não se tratam apenas de pensamentos e é muito mais que isso! São sentimentos. Um sentimento tão forte e duradouro que não dá mais para o ignorar.
O engraçado nisto tudo é que estamos sempre tão perto e ao mesmo tempo tão longe também. É sempre assim... Ele não está assim tão longe para não o puder ver e nem eu estou longe. As coisas complicam-se quando nos é proibido simplesmente amar e cuidar do amor da nossa vida.
Por mais que o "eu tentei te esquecer, mas não consegui" seja a ideia principal significa que tentamos esquecer e sabem que mais? Dói tentar esquecer o impossível...
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
gavetas no meu coração
Não sei mais como me sentir. Não sei ver as coisas de outra maneira para além da maneira que eu vejo e destrói cada bocadinho do meu coração, aos poucos, mas destrói a perda de ti.
Já me vi nesta situação tantas vezes... Perder-te e ires ao encontro de uma nova pessoa na tua vida. Afinal eu já devia saber como isto é, mas entendi que desta vez a perda é para sempre e ela só fica a ganhar. Ela ganha o amor da minha vida! Como me conseguem pedir para aceitar isto depois de passar tempestades por esse amor?
As palavras ganham sempre poder quando devem ficar fechadas em todas as gavetas do meu coração, mas não sei ser eu se guardar para mim. Não te odeio e nem posso odiar alguém cujo amor é superior e também não posso ser egoísta e querer-te só para mim, mas dói sabes? O amor da tua vida deixar-te e o tempo que passa tão rápido, mas desta vez não foi o tempo foste tu. Sim, tu que não sabes superar mágoas e lutar por quem desejas, que foste em busca de um novo abraço e de alguém para substituir a tua mágoa.
Amar também é desistir e deixar ir, mas não desta maneira. Não da maneira que tu deixaste ir e agora pergunto-me se o que eu passei por ti ela irá passar?! Ela e todas as outras que tu irás substituindo até conseguires esquecer-te de mim.
Tentar é diferente de conseguir, tu sabes disso. Também sabes melhor do que ninguém que cresceste, mas não o suficiente com este amor. Tudo isto te irá fazer lembrar de mim sem que eu tenha de ir atrás de ti, porque tudo isto irá fazer-me lembrar de ti de tal forma que também não irei esquecer.
Agora sinceramente o que vem fácil também sabe ir fácil por isso agarra-te ao que te dá luta e não ao que vem e não passará metade por ti.
Mais uma vez: um amo-te com todo o meu coração...
Já me vi nesta situação tantas vezes... Perder-te e ires ao encontro de uma nova pessoa na tua vida. Afinal eu já devia saber como isto é, mas entendi que desta vez a perda é para sempre e ela só fica a ganhar. Ela ganha o amor da minha vida! Como me conseguem pedir para aceitar isto depois de passar tempestades por esse amor?
As palavras ganham sempre poder quando devem ficar fechadas em todas as gavetas do meu coração, mas não sei ser eu se guardar para mim. Não te odeio e nem posso odiar alguém cujo amor é superior e também não posso ser egoísta e querer-te só para mim, mas dói sabes? O amor da tua vida deixar-te e o tempo que passa tão rápido, mas desta vez não foi o tempo foste tu. Sim, tu que não sabes superar mágoas e lutar por quem desejas, que foste em busca de um novo abraço e de alguém para substituir a tua mágoa.
Amar também é desistir e deixar ir, mas não desta maneira. Não da maneira que tu deixaste ir e agora pergunto-me se o que eu passei por ti ela irá passar?! Ela e todas as outras que tu irás substituindo até conseguires esquecer-te de mim.
Tentar é diferente de conseguir, tu sabes disso. Também sabes melhor do que ninguém que cresceste, mas não o suficiente com este amor. Tudo isto te irá fazer lembrar de mim sem que eu tenha de ir atrás de ti, porque tudo isto irá fazer-me lembrar de ti de tal forma que também não irei esquecer.
Agora sinceramente o que vem fácil também sabe ir fácil por isso agarra-te ao que te dá luta e não ao que vem e não passará metade por ti.
Mais uma vez: um amo-te com todo o meu coração...
terça-feira, 13 de novembro de 2012
é que... faz falta
Inúmeras situações fazem falta e dessas mesma situações encontram-se pessoas ligadas a momentos que de qualquer maneira preencheram um certo e único espaço no meu coração.
Como me corre nas veias o sangue também me corre falta. Falta de pessoas que conheci, mas que nos dias de hoje ganharam outro espaço no meu coração. A esse espaço eu chamo de desilusão e que grande desilusão! Nesse espaço se há coisa que não me deixa ir atrás são as lições mesmo que a saudade aperte e a falta de quem já não conheça esteja presente e me roa por dentro que tão bem o faz, como um roedor, as lições prendem-me a mim própria.
Essas não me deixam procurar quem não se limita a sentir a minha falta como eu sinto e agradeço a Deus por me dar decepções e arrancar da minha vida quem eu de qualquer maneira com tanta ilusão nem sequer conheci.
Sim, é que faz mesmo falta e machuca, mas quando vou ao encontro da minha verdadeira alma eu entendo o valor da desilusão e o facto de tanto machucar porque só assim toda esta peça que eu digo faltar me faz ir ao encontro do valor das mais pequenas coisas e principalmente de quem merece preencher o coração e de certeza que se encontrar também a minha alma será uma peça ligada e nunca uma peça solta.
Tudo isto é como dar um passo em frente e não nos sentirmos mais no mesmo lugar e nesse lugar encontrado deixamos para trás e trazemos apenas lições.
Como me corre nas veias o sangue também me corre falta. Falta de pessoas que conheci, mas que nos dias de hoje ganharam outro espaço no meu coração. A esse espaço eu chamo de desilusão e que grande desilusão! Nesse espaço se há coisa que não me deixa ir atrás são as lições mesmo que a saudade aperte e a falta de quem já não conheça esteja presente e me roa por dentro que tão bem o faz, como um roedor, as lições prendem-me a mim própria.
Essas não me deixam procurar quem não se limita a sentir a minha falta como eu sinto e agradeço a Deus por me dar decepções e arrancar da minha vida quem eu de qualquer maneira com tanta ilusão nem sequer conheci.
Sim, é que faz mesmo falta e machuca, mas quando vou ao encontro da minha verdadeira alma eu entendo o valor da desilusão e o facto de tanto machucar porque só assim toda esta peça que eu digo faltar me faz ir ao encontro do valor das mais pequenas coisas e principalmente de quem merece preencher o coração e de certeza que se encontrar também a minha alma será uma peça ligada e nunca uma peça solta.
Tudo isto é como dar um passo em frente e não nos sentirmos mais no mesmo lugar e nesse lugar encontrado deixamos para trás e trazemos apenas lições.
sábado, 10 de novembro de 2012
nós os queixosos
Vejo o mundo todo numa reviravolta sem rumo. A vida não está fácil para muitos e aqueles que mais precisam já são comparados a nós.
Querem fazer comparações impossíveis só para idealizar a queda de cada país, mas e o pobre que vive na rua há anos? O toxicodependente que luta para evitar aquilo a que chamamos de ressaca e ao qual ele é totalmente dependente? Esse que foi abandonado pela família e vive agora na rua procurando respostas pelo facto de não o ajudarem a lutar pela vida. As crianças e famílias espalhadas neste mundo grande e ao mesmo tempo tão pequeno quem se preocupa com elas? Quem se preocupa em lhes levar conforto numa simples manta e roupa quente? Nós que nos queixamos tanto somos mesmo isto: uns queixosos!
Orgulham-se da existência de voluntários que deixam a sua vida para trás que se gabam por ainda haver pessoas assim, mas quantos mais voluntários são precisos para acabar com isto? Enquanto se orgulham e gabam vistam a peça de roupa mais simples e barata que tiverem, sejam humildes e tomem atitude! Está na hora de todos nós sermos voluntários mesmo que pareça que não tenhamos nada.
O primeiro ministro que se descola sentado naquele carro que daria sopa para muitas noites e um pão quente ao sem abrigo que vê aquelas quatro rodas e o barulho do motor a passar por ele como se fosse uma pedra da calçada solta e perdida num simples passeio das ruas da nossa velha e cada vez mais pobre Lisboa.
Nós os grandes queixosos podemos não ter nada, mas ao mesmo tempo temos tudo e na crise estamos habituados a sobreviver e os que nada têm sofrem muito mais por sobreviver e acabam por morrer sem o respeito de todos e a simples preocupação no ser humano em vez do bolso cheio.
Somos os queixosos capazes de mudar o mundo e capazes de provar que podemos ser pessoas melhores, mas somos os mais tristes porque sem nada baixamos a cabeça enquanto estas pessoas que banalizamos e ignoramos são capazes de sorrir com toda a sua alma e essa de certeza que é mais rica que todos nós juntos.
"Não deixe que a pobreza se transforme em paisagem."
domingo, 4 de novembro de 2012
domingo
Os domingos são chatos. O tempo parece que não passa e ainda por cima hoje é um domingo frio. Eu gosto do frio, mas gosto mais quando posso sentir calor humano. Um bom abraço!
Hoje é daqueles domingos que só me apetece ouvir música e aconchegar-me a ver filmes. O problema deste domingo é o mesmo de todos os dias: os pensamentos. Bolas!!!!! mas porquê que temos que pensar tanto? Pensar em tudo aquilo que não queremos que nos venha à cabeça e tentar não pensar vezes sem conta.
Oh domingo frio se fosses menos chato talvez fosse mais fácil de passar e descontrair sem estes "monstrinhos" sempre atrás de mim.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
conclusão
Aquele momento em que entendes que só tu estás mal depois de tantas palavras trocadas, anos passados, memórias vividas, tempestades superadas e não superadas, carinhos trocados, carícias trocadas e um amor em que acreditaste.
O momento em que tens de deixar e não podes correr atrás mesmo que seja o mais apetecível a fazeres. As vezes em que pensas que estás a bater com a cabeça nas paredes e a tua alma chora por uma pessoa que esquece rápido aquilo que tu mais guardas na memória e vives em pensamento. De repente todas as tuas certezas passam a dúvidas e sentes que estás sozinho num amor que dá provas que foi exclusivamente teu.
Pelo menos sabes que amaste e amas aquela pessoa e que amar também ensina mesmo que magoe.
Começas a entender que de um dia para o outro já não és tu a fazer parte da rotina do tal, mas sim outra pessoa. Já não és tu que trocas mensagens, mas sim essa tal. Não és tu que tens mais o coração dele nem a atenção e afecto. É essa tal que é a nova enchente do coração dele. Dás por ti com nada quando tiveste tudo e por vezes ainda te queixavas!
Sentes que és forte no fundo porque aguentas a dor e não foges dela agarrando outra pessoa para esquecer. Depois dás por ti a veres a pessoa que amas com a tal e questionas na tua cabeça, que tanto procura respostas, como é que consegue ser tão rápido depois de tantos momentos vividos contigo.
O momento em que chegas à conclusão que sofres por quem não faria metade por ti. Aceitar isso é somente a realidade à qual tens que te encarar.
O momento em que tens de deixar e não podes correr atrás mesmo que seja o mais apetecível a fazeres. As vezes em que pensas que estás a bater com a cabeça nas paredes e a tua alma chora por uma pessoa que esquece rápido aquilo que tu mais guardas na memória e vives em pensamento. De repente todas as tuas certezas passam a dúvidas e sentes que estás sozinho num amor que dá provas que foi exclusivamente teu.
Pelo menos sabes que amaste e amas aquela pessoa e que amar também ensina mesmo que magoe.
Começas a entender que de um dia para o outro já não és tu a fazer parte da rotina do tal, mas sim outra pessoa. Já não és tu que trocas mensagens, mas sim essa tal. Não és tu que tens mais o coração dele nem a atenção e afecto. É essa tal que é a nova enchente do coração dele. Dás por ti com nada quando tiveste tudo e por vezes ainda te queixavas!
Sentes que és forte no fundo porque aguentas a dor e não foges dela agarrando outra pessoa para esquecer. Depois dás por ti a veres a pessoa que amas com a tal e questionas na tua cabeça, que tanto procura respostas, como é que consegue ser tão rápido depois de tantos momentos vividos contigo.
O momento em que chegas à conclusão que sofres por quem não faria metade por ti. Aceitar isso é somente a realidade à qual tens que te encarar.
sábado, 27 de outubro de 2012
labirinto
Não me falem de tempo. Estou cansada de ouvir falarem que o tempo isto e aquilo, então se cura porquê que esta minha dor continua? O amor não se trata de uma coisa de tempo e muito menos temos um botão ligado ao nosso coração em que pudemos escolher entre a opção "offline" e "online".Para mim basta fechar os olhos e os flashbacks não param e isso só me dá mais saudades. Sinto tantas saudades que às vezes parece que sufocam. Dizem que a dor é psicológica então porquê que quando está frio sentimos? É a mesma coisa! Como o frio arrefece e às vezes até congela a dor também aperta e também quebra. Quebra o coração até não puder mais é verdade.
Não me peçam para não pensar. Até parece que todos nós por mais que queiramos ignorar os nossos fortes pensamentos conseguimos ser mais fortes que eles! O mal das pessoas é dizerem sempre aquilo que o ser humano como ser humano que é sabe que não é fácil como se fosse tudo o mar de rosas e nos aliviasse a dor. Sabem o que me alivia a dor? Isto mesmo que estou a fazer neste exacto momento: escrever. Não é bem aliviar, mas sim expressar o que o coração já não pode usufruir com gestos.
Eu aceito, perdoo, rio, choro, grito, corro, vejo, canto, escrevo, ergo a cabeça ... MAS (porque há sempre um mas) não esqueço.
Não esqueço e quando a perda de alguém que amamos é injusta e sem motivos é pedir-me demais não pensar, não sentir, que não me doa e que ignore.
A minha alma chora, os meus olhos não secam, o meu coração aperta, só me sinto bem sozinha e isto tudo custa tanto... Sinto-me num labirinto e sair dele?
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
largar
Existem dias que acordo com uma vontade de largar tudo. Nesses dias há uma força na minha alma que me diz: "Joana, aqui já não é o teu lugar." apesar de ter tanto aqui parece que já não tenho nada.
Preciso de conhecer novos lugares, pessoas novas, novas comunicações, temperaturas diferentes, ruas e passeios diferentes desta chata calçada portuguesa (do que eu me fui lembrar!)... Quero aprender mais e dar-me a conhecer do zero, quero conhecer pessoas do zero também e contar o que me leva ali.
Afinal não sou só eu que acordo por vezes assim! Há muitos como eu que precisam de algo novo e o que custa tentar? Existem voos para retomar à nossa casa não é? Haverá sempre alguém à nossa espera de braços abertos e mesmo que não haja não há nada como a nossa Terra Natal.
Quem sabe se não irá passar de uma vontade e um dia próximo me levará para outro lugar, mas não me ficarei só por aí pois há muito por conhecer e muito de mim ainda há para dar. Agora tenho que saber viver com prioridades e depois o destino me levará a acabá-las e levar a outro lugar largando assim o principal objectivo depois de alcançado.
Nunca andei de avião como é possível?! Realmente há uma primeira vez para tudo. Será que é desta que vou ver partes do nosso mundo através da imensidão do nosso céu? Sim, porque o céu é nosso, é de todos!
Estou desejosa de largar isto e não é fugir, é mesmo largar. A vida tem momentos assim e por vezes temos que entender o nosso rumo e saber aproveitar oportunidades.
A palavra "saudade" exclusivamente portuguesa irá comigo e o meu coração irá sempre cheio se tiver mesmo de ser assim.
Agora resta esperar...
Um dia quem sabe.
Preciso de conhecer novos lugares, pessoas novas, novas comunicações, temperaturas diferentes, ruas e passeios diferentes desta chata calçada portuguesa (do que eu me fui lembrar!)... Quero aprender mais e dar-me a conhecer do zero, quero conhecer pessoas do zero também e contar o que me leva ali.
Afinal não sou só eu que acordo por vezes assim! Há muitos como eu que precisam de algo novo e o que custa tentar? Existem voos para retomar à nossa casa não é? Haverá sempre alguém à nossa espera de braços abertos e mesmo que não haja não há nada como a nossa Terra Natal.
Quem sabe se não irá passar de uma vontade e um dia próximo me levará para outro lugar, mas não me ficarei só por aí pois há muito por conhecer e muito de mim ainda há para dar. Agora tenho que saber viver com prioridades e depois o destino me levará a acabá-las e levar a outro lugar largando assim o principal objectivo depois de alcançado.
Nunca andei de avião como é possível?! Realmente há uma primeira vez para tudo. Será que é desta que vou ver partes do nosso mundo através da imensidão do nosso céu? Sim, porque o céu é nosso, é de todos!
Estou desejosa de largar isto e não é fugir, é mesmo largar. A vida tem momentos assim e por vezes temos que entender o nosso rumo e saber aproveitar oportunidades.
A palavra "saudade" exclusivamente portuguesa irá comigo e o meu coração irá sempre cheio se tiver mesmo de ser assim.
Agora resta esperar...
Um dia quem sabe.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Remetente: de mim Destinatário: para ti
Está na altura de te contar o que me levou a ti.
Eu era uma miúda (não gosto nada desta palavra, mas era isto que eu era mesmo) cheia de manias que era superior a tudo e a todos e que ninguém me poderia fazer mal principalmente aqueles que me rodeavam. Conhecia quase a escola toda e achava ter milhares de amigos até que um dia entendi que não precisava disso, mas sim de poucas pessoas ao meu lado e boas.
Não ligava ao que hoje posso chamar de amor afinal estava na fase dos quase 15 anos em que só me queria afirmar perante os outros, típica adolescente não é?
Um dia não me perguntes porquê comecei a reparar num olhar, mas não era um olhar qualquer e por mais incrível que pareça era de alguém que me passava muitas vezes ao lado e eu nem reparava. Naquele dia realmente comecei a reparar e no outro dia reparei ainda mais e quando dei por mim passei a olhá-lo todos os dias, mas depois em conjunto com aquele olhar que me dizia algo juntou-se o sorriso! O sorriso! Ai aquele sorriso era contagiante e eu adorava observá-lo de longe. Esse olhar e aquele sorriso eram teus meu querido.
Não preciso de contar tudo pois não? Tu melhor do que ninguém sabes que comecei a observá-los de perto, de repente aquilo que me fascinava em ti cruzava-se comigo. O teu olhar cruzava-se com o meu e agora era de tão perto que conseguia o entender para além de só o ver. Agora até o teu sorriso contagiante contagiava o meu.
Com o tempo o teu olhar revelava mesmo que por alguma razão me dizia alguma coisa... Entendi-o e percebi que por trás do brilho dele havia força, mágoas, fraquezas e vitórias, sinceridade, humildade, simplicidade e muito para dar. Quando dei por mim das poucas, mas boas pessoas que precisava ao meu lado tu eras uma delas. Só depois de me dares a conhecer é que comecei a ligar a outros pormenores que para mim não eram pormenores eram apenas aquilo que te faziam ser o ser humano que és. Sabes o que me fascinou em ti depois do olhar e do teu sorriso? A tua beleza interior que contagiava tudo e todos e que ainda hoje o faz.
Um dia quis o destino separar aqueles dois miúdos e assim foi... Os anos passavam e o meu orgulho aumentava enquanto a minha cabeça funcionava o meu coração escondia aquele miúdo. A cabeça tentava e tentava apagar da memória aquele miúdo que hoje é um jovem tão especial e contagiante! Um jovem adulto que eu não esqueci e agora tu e eu entendemos que a cabeça não apaga o que o coração sente.
Vou sempre pedir-te uma coisa meu querido amor não deixes que aquilo que eu te fiz passar (mesmo ambos sabendo que não era isto que eu queria para nós e que vivesses isto) te desvalorize! Não há ninguém que possa tirar esse teu brilho lindo e orgulha-te sempre de onde vens, da tua cultura, da tua cor de pele, do teu coração e do teu interior conquistador e contagiante.
Destrói-me por dentro que alguém te possa desvalorizar, mas por favor não deixes.
Amar também é isto: proteger a pessoa que amamos nem que para isso a tenhamos que deixar e nós sabemos isto melhor do que ninguém...
Um amo-te com todo o meu coração
Eu era uma miúda (não gosto nada desta palavra, mas era isto que eu era mesmo) cheia de manias que era superior a tudo e a todos e que ninguém me poderia fazer mal principalmente aqueles que me rodeavam. Conhecia quase a escola toda e achava ter milhares de amigos até que um dia entendi que não precisava disso, mas sim de poucas pessoas ao meu lado e boas.
Não ligava ao que hoje posso chamar de amor afinal estava na fase dos quase 15 anos em que só me queria afirmar perante os outros, típica adolescente não é?
Um dia não me perguntes porquê comecei a reparar num olhar, mas não era um olhar qualquer e por mais incrível que pareça era de alguém que me passava muitas vezes ao lado e eu nem reparava. Naquele dia realmente comecei a reparar e no outro dia reparei ainda mais e quando dei por mim passei a olhá-lo todos os dias, mas depois em conjunto com aquele olhar que me dizia algo juntou-se o sorriso! O sorriso! Ai aquele sorriso era contagiante e eu adorava observá-lo de longe. Esse olhar e aquele sorriso eram teus meu querido.
Não preciso de contar tudo pois não? Tu melhor do que ninguém sabes que comecei a observá-los de perto, de repente aquilo que me fascinava em ti cruzava-se comigo. O teu olhar cruzava-se com o meu e agora era de tão perto que conseguia o entender para além de só o ver. Agora até o teu sorriso contagiante contagiava o meu.
Com o tempo o teu olhar revelava mesmo que por alguma razão me dizia alguma coisa... Entendi-o e percebi que por trás do brilho dele havia força, mágoas, fraquezas e vitórias, sinceridade, humildade, simplicidade e muito para dar. Quando dei por mim das poucas, mas boas pessoas que precisava ao meu lado tu eras uma delas. Só depois de me dares a conhecer é que comecei a ligar a outros pormenores que para mim não eram pormenores eram apenas aquilo que te faziam ser o ser humano que és. Sabes o que me fascinou em ti depois do olhar e do teu sorriso? A tua beleza interior que contagiava tudo e todos e que ainda hoje o faz.
Um dia quis o destino separar aqueles dois miúdos e assim foi... Os anos passavam e o meu orgulho aumentava enquanto a minha cabeça funcionava o meu coração escondia aquele miúdo. A cabeça tentava e tentava apagar da memória aquele miúdo que hoje é um jovem tão especial e contagiante! Um jovem adulto que eu não esqueci e agora tu e eu entendemos que a cabeça não apaga o que o coração sente.
Vou sempre pedir-te uma coisa meu querido amor não deixes que aquilo que eu te fiz passar (mesmo ambos sabendo que não era isto que eu queria para nós e que vivesses isto) te desvalorize! Não há ninguém que possa tirar esse teu brilho lindo e orgulha-te sempre de onde vens, da tua cultura, da tua cor de pele, do teu coração e do teu interior conquistador e contagiante.
Destrói-me por dentro que alguém te possa desvalorizar, mas por favor não deixes.
Amar também é isto: proteger a pessoa que amamos nem que para isso a tenhamos que deixar e nós sabemos isto melhor do que ninguém...
Um amo-te com todo o meu coração
Joana Pais Lopes
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
carta
Numa aula de Português no ano passado, dia 12 de Setembro de 2011 estava eu no 12º ano quando a professora querida deu às alunas o sumário da lição nº qualquer coisa do Módulo 9. Para grande surpresa nossa constava no sumário a elaboração de uma carta que teria de ser feita em 45minutos, mas como todos os alunos em geral escrita criativa a uma hora daquelas da manhã antes do almoço não dava com nada.
Bem, lá teve que ser feita a carta mesmo que todas nós nos queixássemos de falta de imaginação. Pensei e repensei e nem sabia para quem escrever até que me lembro do meu querido e eterno amigo de longa data e logo a inspiração que eu acreditava ser inexistente decidiu aparecer.
Passo então para a carta pedida:
Bem, lá teve que ser feita a carta mesmo que todas nós nos queixássemos de falta de imaginação. Pensei e repensei e nem sabia para quem escrever até que me lembro do meu querido e eterno amigo de longa data e logo a inspiração que eu acreditava ser inexistente decidiu aparecer.
Passo então para a carta pedida:
Estoril, 12 de Setembro de 2011
Querido Anjo da Guarda,
Já reparaste com certeza que aqui, em baixo, na Terra, todos nós sentimos a tua falta. É impossível não reparar que o tempo por mais longo que seja e mesmo que não tenha fim passa tão rápido!
No outro dia, fui deixar-te uma rosa branca. Sabes que sempre que puder vou-te deixar um miminho, mas para mim escrever de vez em quando para ti e lembrar-me de ti sabe melhor. Faz-me uma enorme impressão imaginar que por baixo daquela terra que pisamos deixámos algo que nos faz tanta falta.
Daqui a uns dias passo lá para deixar-te outra rosa, prometo!
Com todo o carinho
Joana Pais Lopes
terça-feira, 23 de outubro de 2012
imagina comigo
Agora vais imaginar comigo. Sim, vais imaginar…
Sabes que ao fechares os olhos no escuro e silêncio da noite
e te concentrares consegues sentir? Fecha os olhos e agora concentra-te,
lembra-te de mim. Lembra-te da minha maneira de ser para puderes sentir.
Imagina um beijo meu na tua testa como sinal de respeito e
de seguida lembra-te das minhas mãos. Agora irás sentir as minhas mãos a descer
pela tua cara, a passarem na tua cabeça, nas tuas costas, nos teus braços e
chegarem às tuas. Concentra-te e sente as tuas mãos como se tivessem a ser
agarradas e de seguida entrelaçadas nas minhas.
Desta vez imagina que estou aí do teu lado a olhar para ti,
lembra-te do olhar que te fazia e pedias para não olhar porque não gostas que
fiquem a olhar fixamente para ti. Fecha os olhos e é como se eu tivesse aí pois
neste momento eu estou a olhar para ti como fazia antigamente, mas tal como te
peço também eu estou a imaginar.
Agora com toda a força do mundo continua com os olhos
fechados e mais uma vez peço para que imagines, mas desta vez imagina a minha
força junto a ti. Um abraço apertado, mas carinhoso e cheio de vontade. Depois deste
abraço sente a minha respiração no teu ouvido e um sussurrar. Lembra-te da
minha voz e é como se ouvisses um sussurrar de um “amo-te”. Basta isso. Não preciso
que imagines mais nada nesse sussurrar.
No fim concentra-te mais um pouco e sente o meu “deslargar”
e logo a seguir outro beijo na testa. Agora que já imaginámos e já nos deixámos
tenho que te dizer que o meu coração está sempre contigo, mesmo que não possas
mais sentir.
Joana Pais Lopes
raízes
Sabem o Outono? Sabem o que esta estação faz às árvores até
as mais bonitas? Despe-as. Despe-as todos os anos e todas aquelas folhas verdes
um dia são encontradas com aquele aspecto velho e triste. Aquela árvore bonita
que perde todas aquelas folhas nesta estação tal como muita coisa na vida volta
a ganhar brilho. Ela vai ganhar outras folhas que serão mais fortes e um dia
quando a Primavera chegar serão tão verdes que a tal árvore voltará a brilhar.
Mas serão essas folhas o mais importante? Se vier uma rajada de vento, uma
tempestade ou algo muito forte a árvore pode perder o brilho, mas o que estará
lá para a segurar e aguentar mais tempestades fortes? As raízes profundas que
aguentam com o peso e mantém a força para a árvore se manter fiel à terra.
Essas raízes contam aquilo que foi grande e deslumbrante e que poderá voltar
mais uma vez a ser.
Será que fica mais triste? Não! Não?! Ela por vencer todas
as tempestades e todas as perdas daquelas folhas bonitas no Outono consegue
vencer a dor de ser despida. Será que as árvores têm alma? Uma espécie de alma
não se sabe bem… Triste um dia vai ficar quando deixar que as suas raízes por
se acharem velhas mudem o amor pelo brilho que renascerá.
Sabem que existe um crescimento constante nas raízes das
árvores? Sendo assim esse crescimento só irá dar mais vitalidade e acima de
tudo força. Mas qual velhice qual quê! O tempo tornará mais forte se esta
árvore ou a sua alma acreditar que aquele tal crescimento irá ser um símbolo de
força.
Todas as folhas caídas podem ser todos os maus momentos e
fraquezas às quais um dia passámos. O brilho que voltará pode se entender como
os bons momentos, mas também como algo muito forte tal como um amor. As tempestades
fortes por todos os obstáculos que um amor terá de passar e ultrapassar. As
raízes? As raízes somos nós! Somos as raízes porque podem passar por tudo, mas
se houver realmente algo mais forte que as mantenha sempre profundas nada irá
impedir que elas continuem fortes e com um crescimento constante. As raízes são
aquilo que nos une depois de uma tempestade, são o sentimento, são a amizade e
o amor, são aquilo que podemos nem nos lembrar por não se verem, mas se forem
comparadas ao amor são isto tudo e mais.
Estranho não é? Eu estar aqui a escrever sobre árvores.
Engraçado também e com sentido é que essa árvore que se despe no Outono, que
ultrapassa tempestades, que a sua raiz mantém-se forte pode ser comparada a
nós. Sim, nós!
Tal como as árvores o amor antigo e duradouro ganha força e
intensidade. Cabe a quem o vive ser superior a tempestades e superar
obstáculos.
Já dizia o filósofo Friedrich Nietzsche: “Aquilo que não nos mata torna-nos mais
fortes.”
Joana Pais Lopes
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