terça-feira, 23 de outubro de 2012

raízes


Sabem o Outono? Sabem o que esta estação faz às árvores até as mais bonitas? Despe-as. Despe-as todos os anos e todas aquelas folhas verdes um dia são encontradas com aquele aspecto velho e triste. Aquela árvore bonita que perde todas aquelas folhas nesta estação tal como muita coisa na vida volta a ganhar brilho. Ela vai ganhar outras folhas que serão mais fortes e um dia quando a Primavera chegar serão tão verdes que a tal árvore voltará a brilhar. Mas serão essas folhas o mais importante? Se vier uma rajada de vento, uma tempestade ou algo muito forte a árvore pode perder o brilho, mas o que estará lá para a segurar e aguentar mais tempestades fortes? As raízes profundas que aguentam com o peso e mantém a força para a árvore se manter fiel à terra. Essas raízes contam aquilo que foi grande e deslumbrante e que poderá voltar mais uma vez a ser.
Será que fica mais triste? Não! Não?! Ela por vencer todas as tempestades e todas as perdas daquelas folhas bonitas no Outono consegue vencer a dor de ser despida. Será que as árvores têm alma? Uma espécie de alma não se sabe bem… Triste um dia vai ficar quando deixar que as suas raízes por se acharem velhas mudem o amor pelo brilho que renascerá.
Sabem que existe um crescimento constante nas raízes das árvores? Sendo assim esse crescimento só irá dar mais vitalidade e acima de tudo força. Mas qual velhice qual quê! O tempo tornará mais forte se esta árvore ou a sua alma acreditar que aquele tal crescimento irá ser um símbolo de força.
Todas as folhas caídas podem ser todos os maus momentos e fraquezas às quais um dia passámos. O brilho que voltará pode se entender como os bons momentos, mas também como algo muito forte tal como um amor. As tempestades fortes por todos os obstáculos que um amor terá de passar e ultrapassar. As raízes? As raízes somos nós! Somos as raízes porque podem passar por tudo, mas se houver realmente algo mais forte que as mantenha sempre profundas nada irá impedir que elas continuem fortes e com um crescimento constante. As raízes são aquilo que nos une depois de uma tempestade, são o sentimento, são a amizade e o amor, são aquilo que podemos nem nos lembrar por não se verem, mas se forem comparadas ao amor são isto tudo e mais.
Estranho não é? Eu estar aqui a escrever sobre árvores. Engraçado também e com sentido é que essa árvore que se despe no Outono, que ultrapassa tempestades, que a sua raiz mantém-se forte pode ser comparada a nós. Sim, nós!
Tal como as árvores o amor antigo e duradouro ganha força e intensidade. Cabe a quem o vive ser superior a tempestades e superar obstáculos.
Já dizia o filósofo Friedrich Nietzsche: “Aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes.”

Joana Pais Lopes

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