domingo, 23 de março de 2014

Gavetas

Estou de volta às gavetas que se abrem e fecham quando a saudade de ti aperta e quando todos os bocadinhos de ti que fui nelas guardando voltam à memória e a percorrer todas as células do meu corpo e ao sangue que me percorre nas veias que vai chegando ao coração e que revelam o meu ser e mais difícil ainda é remexer com o que de tanto parecer certo, acabou a ser errado.
O ser humano é deveras engraçado sabias? Eu dou por mim à tua procura e para quê? Quando nós menos queremos e apressamos as nossas vontades e ansiedades é quando tudo o que queremos não aparece diante de nós, nem perto nem longe, sem meio termo e sem coincidências,  De repente, dou por mim a cruzar com tudo o que enche as gavetas da minha memória e recordação. Encho-me de saudade e de maneiras totalmente esquecidas de me expressar. 
E cá estou eu a chegar à única maneira mais normal que encontro de me referir a gavetas na mesma frase que a saudade e a recordação. Tudo porque quando menos espero apareces e não importa se da melhor forma ou não, mas apareces! Umas vezes falas e outras o silencio domina-te. Outras vezes eu pressinto sem tu imaginares que o sinto e sem sequer cruzares o mesmo caminho que percorro no momento.
Hoje por alguma razão a gaveta da minha memória gravada com o teu nome voltou a abrir-se e de todas as misturas de sentimentos, vivências e aprendizagens que se encontram acumuladas dentro da mesma apareceste tu. Sabes que há coisas que não são por acaso? Esta gaveta ensinou-me isto todos os dias que teimava em abrir quando eu queria a fechar. E sabes quando acordas com o remexer no passado e nas saudades de maneira inesperada?
Eu hoje acordei assim e sem querer, sem menos esperar tu voltaste a aparecer sem sequer saberes da minha presença.
São as gavetas..........