Estou a sentir novamente saudades do que não devo sentir. Devia ser errado sentir saudades de quem nos magoa, apenas a cabeça vê isso como um erro.
Maldito coração que tem uma enchente de memórias que tendem em não desaparecer.
Dou por mim com saudades de coisas simples como chegar e escolher a lista de reprodução daquele computador. A lista para aquela tarde ou para o final de uma tarde depois da escola ou de uma noite fria entre a mudança do fresco Outono para o frio do Inverno. Coisas simples como cantarmos as músicas todas do Anselmo e mostrar músicas um ao outro. Coisas mais simples como um simples abraço quente ou um dos seus casacos enormes para não passar frio enquanto o caminho era feito até casa.
Ainda me lembro do dia em que me deixou a segundos da porta de casa e veio a correr abraçar-se a mim mesmo depois de já se ter despedido. Agora paro e penso, como é que essa pessoa que fez isso num acto repentino e tão sincero hoje é o que é aos meus olhos? Frieza é o que eu aparenta haver por trás daquele olhar que me dizia tanto... Tudo mudou, mas eu ainda vivo as memórias. Ainda vivo o carinho e os sorrisos, as idas até casa, as noites e tardes de aconchego de um suposto amor, de cantar, conversar, de mensagens e até das saudades quando não estava cá.
Como hoje em dia se diz as boas raparigas têm tendência em apego errado, mas nada me dizia naquele tempo que o era. As memórias são sem dúvida o pior para o nosso coração mesmo quando a nossa cabeça sabe o que está a fazer.
Aprendi a sentir saudades e a não ir... Não percorrer aquele caminho e subir aquelas escadas, a entrar e no fim sair como que já nem conhecesse. Aprendi também a ser fiel ao meu respeito próprio e a guardar as saudades numa gaveta no meu coração e outra gaveta cheia de memórias e recordações. Abro-as sem intenção de querer de novo as mesmas, porque sei o que é o melhor para mim e sem dúvida que é aquilo que eu quero, mas não o que preciso.
Para além de precisar vem antes o que é o melhor para nós e fiz a escolha certa quando decidi as abrir quando sinto que as devo abrir, mas nunca voltar a abrir mais gavetas. Estas chegam mesmo sabendo que não devo.
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